OBJETIVO: Mapear a evidência clínica em humanos sobre o uso de polihexanida (PHMB), isolada ou combinada, no tratamento de queimaduras, com ênfase em desfechos de cicatrização e controle microbiano/biofilme.
MÉTODO: Revisão de escopo baseada em oito estudos clínicos em queimaduras humanas, incluindo ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais (prospectivos/retrospectivos) e um relato de caso. Foram extraídos dados sobre população, classificação das queimaduras, forma de aplicação do PHMB (veículo/concentração/regime), desfechos e principais achados.
RESULTADOS: Em queimaduras de espessura parcial, dois ensaios randomizados mostraram tempos de cicatrização semelhantes entre intervenções com PHMB (gel PHMB/betaína ou curativo de biocelulose com PHMB) e sulfadiazina de prata, com benefícios em dor e/ou menor frequência de trocas e custos em um dos estudos. No controle microbiano, os resultados basearam-se sobretudo em culturas de swab e infecção clínica; um ensaio não encontrou diferença na colonização, enquanto um estudo comparativo retrospectivo observou menor positividade para Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus com hidrogel de PHMB versus alginato. Em pediatria, os tempos de reepitelização foram geralmente curtos em queimaduras superficiais, aumentando conforme a profundidade. Em queimaduras profundas enxertadas, um estudo não comparativo reportou reepitelização rápida do enxerto e ausência de infecção.
CONCLUSÕES: O PHMB mostrou-se viável e bem tolerado, com cicatrização semelhante aos comparadores e possíveis vantagens em conforto e indicadores microbiológicos. Contudo, nenhum estudo mensurou biofilme diretamente, limitando inferências sobre ação antibiofilme.
Palavras-chave: Queimaduras. Biguanidas. Cicatrização. Infecção dos Ferimentos. Anti-Infecciosos Locais.